4 + 1 não são necessariamente 5! Este talvez seja um ponto de partida para aqueles que decidam seguir pelas páginas instigantes deste Professores de História: entre saberes e práticas. Nelas, a prática cotidiana de quatro professores de história, em turmas e espaços escolares diferenciados, é visitada de modo inteligente, por alguém que possui uma experiência docente não menos significativa no próprio campo da história. Lidando de forma criativa com um refinado referencial teórico, Ana Maria Monteiro possibilita a cada um de nós, professores de história ou não, melhor compreender como as histórias que contamos a nossos alunos não são a simples reprodução das histórias contidas nos textos historiográficos consagrados, e sim a expressão de uma permanente e sempre renovada tradução, feita a partir de saberes constituídos por meio da experiência docente e escolar, mas seguramente também alimentada por outros saberes e sabedorias forjados nas múltiplas experiências vividas, como professores e como cidadãos.
Este livro é uma pesquisa sobre os modos como os professores de História mobilizam os saberes que dominam para ensinar o que ensinam. Professores de História: entre saberes e práticas contribui, assim, para iluminar aspectos ainda obscuros e desconhecidos das formas de atuação na profissão docente, prática reflexiva fundamental para a formação de cidadãos e profissionais.
Acompanhar esta visita talvez seja tanto a possibilidade de compreendermos e praticarmos um pouco melhor nosso papel como autores das histórias que contamos cotidianamente a potenciais futuros autores de suas próprias vidas quanto a de orientarmos nossas narrativas pela reflexão a respeito do que fazemos, como fazemos e por que o fazemos – lição maior de um texto exemplar que possibilita que a soma de 4 + 1 seja cotidiana e necessariamente cinco!
São cem anos da História da Imprensa Brasileira (1900-2000) que este livro reconstrói, sob a perspectiva de que é possível, a partir dos restos que chegam ao presente, interpretar o passado. Assim, os múltiplos movimentos da imprensa do século XX nele estão mapeados: a transformação dos jornais na virada do século XIX para o XX; a eclosão do jornalismo sensacionalista nos anos 1920; as relações ambíguas da imprensa com o poder durante o Estado Novo; a modernização dos jornais no período desenvolvimentista da década de 1950; a questão da censura durante a ditadura militar; o jornalismo popular e os novos cenários dos trinta últimos anos do século XX.
Acompanhar esta História Cultural da Imprensa é se informar, se enriquecer e mesmo se surpreender com fatos e relatos sobre os momentos marcantes da História do Brasil. Através dos jornais cariocas, com o Rio de Janeiro refletindo e projetando movimentos e ações culturais que pipocam por todo o País, a historiadora Marialva Barbosa faz uma obra de fôlego, reconstruindo cenários por vezes esquecidos pela nossa História.
Como salienta José Marques de Melo, História Cultural da Imprensa situa-se no mesmo patamar ocupado pela vanguarda nacional da História da Mídia. Neste livro, como ele observa, a autora adota uma postura investigativa e constrói uma narrativa brilhante, conquistando “lugar de destaque na constelação dos historiadores midiáticos brasileiros”.
A AUTORA
MARIALVA BARBOSA é professora titular do Departamento de Estudos Culturais e Mídia e do Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense (UFF). Mestre e doutora em História pela UFF, possui Pós-doutorado em Comunicação pelo CNRS-LAIOS (França). Pesquisadora do CNPq e “Cientista do Nosso Estado” da Faperj, dedica-se há várias décadas à pesquisa histórica dos meios de comunicação no Brasil. É coordenadora dos Núcleos de Pesquisa da Intercom e do GT de Jornalismo da Rede Nacional de Pesquisadores de História da Mídia. No momento coordena o Laboratório de Pesquisa de Mídia e História no Programa de Pós-graduação da UFF.
O ensino de História se insere, no momento atual, em diversas problemáticas educacionais e historiográficas em meio ao processo de inclusão social que tem exigido redefinições de conteúdos históricos e de métodos possíveis de se articularem aos novos meios de comunicação com os quais as atuais gerações têm sido formadas e informadas. As universidades encarregadas da produção historiográfica e da formação docente, as decisões do poder estatal e do setor privado, o mercado da indústria cultural, assim como professores, têm obrigatoriamente de ser objeto de reflexão e de estudos articulados para a maior compreensão sobre a história escolar e sua contribuição para a formação de alunos provenientes de diversas condições econômicas e culturais.
Este livro busca contribuir para o estabelecimento de um diálogo estimulante com os professores envolvidos com o ensino da História na educação básica e também com aqueles interessados pelos problemas de formação da cidadania na atualidade.
Este livro representa o esforço para a promoção desses diálogos, fruto de debates do V Perspectivas do Ensino de História, realizado no Rio de Janeiro, um dos principais encontros que especialistas da área, provenientes de diversas instituições brasileiras, vêm realizando ao longo das últimas décadas. Os temas abordados nesse V Encontro em torno do eixo “sujeitos, saberes e práticas” marcam o aprofundamento das relações entre a produção acadêmica e a da história escolar, uma disciplina presente na formação de jovens e crianças desde o século XIX e participante de uma formação política e de identidades sociais cujas dimensões precisam ser constantemente redefinidas e situadas no processo educativo, para que possa desempenhar um papel significativo na cultura escolar do mundo contemporâneo.
ENSINO DE HISTÓRIA
Sujeitos, saberes e práticas
AUTOR: Ana Maria Monteiro, Arlette Medeiros Gasparello e Marcelo de Souza Magalhães (orgs.)
EDITORA: Mauad
PREÇO: R$ 35,00
PÁGINAS: 280