
No último dia 3 de junho de 2007, comemorou-se o 99º anversário de nascimento de Mario Filho. O jornalista que, dentre as diversas coisas que podemos falar a seu respeito, jamais devemos esquecer dá nome ao maior estádio do mundo, o Maracanã.
A sua importância não foi apenas no meio esportivo, mas também no jornalístico; pois praticamente revolucionou a cobertura esportiva, em especial, o futebol, que de suas entranhas, nos conta a história da participação do negro neste esporte que, para nós, é quase um modo de vida.
Esta edição traz um Caderno Especial com a trajetória de Mario Filho, assinada pelo neto e jornalista Mario Neto, com fotos e perfis de alguns dos primeiros craques negros e mulatos do futebol brasileiro, com o texto assinado pelo historiador Gilberto Agostino. Este Caderno chega ao final com a história da imagem da capa, do artista plástico Rebolo, que também foi jogador de futebol, e que mostra pioneiramente na arte brasileira uma cena de jogadores em campo: o negro driblando o próprio Rebolo, que se auto-retrata. Bem cuidada, com apuro nos detalhes – ao ponto de trazer reconstituído, como no original, o prefácio de Gilberto Freyre à primeira edição (de 1947), no qual havia lapsos – (supressões de palavras em dois parágrafos) desde a segunda edição (de 1964), a 4ª Edição traz ao público todo o percurso da obra. Assim, nada foi retirado em relação às edições anteriores: além do prefácio de Gilberto Freyre, o texto das orelhas da segunda edição, de Édison Carneiro, o das orelhas da terceira edição (1994), de João Máximo, e mesmo a apresentação do editor da terceira edição podem nela ser encontrados.
[ Sobre o livro ]
Gilberto Freyre, 1947
Aqui está um capítulo da história do futebol no Brasil que é também uma contribuição valiosa para a história da sociedade e da cultura brasileiras na sua transição da fase predominantemente rural para a predominantemente urbana.
João Máximo, 1994
(…) não há dúvida de que, em cada linha deste livro, está a marca da paternidade que todos nós, cronistas esportivos, reconhecemos em Mario Filho.
Epitácio Brunet, 2003
Mario Filho, ao definir a contribuição do negro brasileiro ao futebol, completou um ciclo de obras – tais como Casa Grande e Senzala, Formação do Brasil Contemporâneo ou Raízes do Brasil – voltadas para a interpretação do Brasil (…)
[ Sobre o autor ]
Mario Rodrigues Filho (1908-1966), que leva o nome do pai, um jornalista do início do século XX, e fundou o jornal A Manhã, veio de Recife para o Rio de Janeiro aos 8 anos de idade, juntamente com seus pais e irmãos, dentre eles o crônista e dramaturgo Nelson Rodrigues.
Fundou O Mundo Esportivo, um jornal esportivo que é considerado o primeiro do gênero no Brasil. Em 1936, compra o Jornal dos Sports, que pertencia a Roberto Marinho, com quem trabalhou no O Globo e era seu companheiro de sinuca.
Em acalorada polêmica na imprensa, vence a batalha contra Carlos Lacerda que desejava a construção do estádio para a Copa do Mundo de 1950, em Jacarepaguá. Mario vence e o Maracanã é construido no bairro de mesmo nome.
É o grande responsável pela mística do Fla-Flu.