Livro, uma cachaça retangular

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Machado de Assis: afro-descendente

Duvido que alguém aqui tenha gostado de ler Machado de Assis quando adolescente. As professoras nos empurravam quase toda literatura brasileira do século XIX e nós tínhamos que ler. Certamente, muitos de nós que ainda poderiam ter aquele gostinho pela leitura despertado, tiveram, sim, o gosto solapado. Quem sabe o que estou falando entende perfeitamente.

Agora, se por acaso, assim como aconteceu comigo, você estiver com 25 anos e de repente vai procurar alguma coisa numa antiga prateleira de livros e lhe cai aos pés, diretamente da prateleira, um exemplar de O Alienista, que alguma Tia dos tempos do primeiro grau lhe mandou ler, pegue-o e leia. Você vai se maravilhar e não se contentará apenas com este livro do Machado de Assis.

O mais interessante é saber não apenas o que ele escreveu, mas também sobre a sua vida. Vejamos o que diz o livro Machado de Assis Afro-descendente:

“Mulato, neto de escravos alforriados, nascido livre no morro do Livramento, no Rio de Janeiro, em 1839; órfão, na adolescência trabalha como balconista e operário gráfico; autodidata, passa da oficina à redação e, daí, ao emprego público e à literatura. Considerado um dos maiores escritores da língua portuguesa, Machado de Assis é acusado de aburguesamento. Esta reunião de textos convida o leitor a reavaliar o posicionamento machadiano em relação à escravidão e às relações inter-raciais existentes no Brasil do século XIX”.

Este livro é uma coletânea de textos (poemas, contos, crônicas e ficção) que mostra a figura dos negros e mulatos em Machado de Assis e também promove uma revisão da, agora errada, afirmativa “Machado negava sua origem” ou coisa parecida. Pelo contrário, ele a afirma através de suas palavras e personagens, mesmo que estes sejam figurantes em vez de protagonistas.

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